Início História da Arquitetura Google faz homenagem a Athos Bulcão no centenário do artista

Google faz homenagem a Athos Bulcão no centenário do artista

Considerado 'o artista de Brasília', ele assina azulejos nos principais pontos turísticos da capital. Athos morreu em 2008 de parada cardiorrespiratória.

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O arquiteto Athos Bulcão em frente ao painel da igrejinha de Nossa Senhora de Fátima em Brasília. Há 20 anos ele inspirou um grupo de admiradores a criar uma fundação para divulgar suas obras (Foto: Acervo Athos Bulcão/Divulgação)
O arquiteto Athos Bulcão em frente ao painel da igrejinha de Nossa Senhora de Fátima em Brasília. Há 20 anos ele inspirou um grupo de admiradores a criar uma fundação para divulgar suas obras (Foto: Acervo Athos Bulcão/Divulgação)

Athos Bulcão: centenário de artista brasileiro ganha Doodle do Google

Em Brasília, Athos Bulcão deixou alguns dos seus mais conhecidos azulejos. Na Igrejinha, no Itamaraty, no Congresso Nacional, na Catedral e até no aeroporto, os quadradinhos coloridos pintam a cidade modernista com os padrões característicos do artista.

Veja a Galeria Virtual de Athos

Pintor, escultor e desenhista, Athos nasceu no Rio de Janeiro em 1918 e morreu, em 2008, na capital federal – que ajudou a decorar. Nesta terça-feira (2), quando ele completaria 100 anos, o Google prestou homenagem à contribuição (que presta até hoje) para a história da arte brasileira.

“Artista eu era. Pioneiro eu fiz-me. Devo a Brasília esse sofrido privilégio. Realmente um privilégio: ser pioneiro. Dureza que gera espírito. Um prêmio moral”.

Athos Bulcão

Na página inicial do site de pesquisa, o nome “Google” aparece escrito em azulejos. Ao passar o cursor por cima da imagem, aparecem painéis de Athos: em amarelo, azul, preto, laranja. Todos eles instalados em alguma cidade do Brasil

O artista de Brasília

Foi na capital federal recém-construída que a Athos fez sua maior galeria de arte. Com monumentos, prédios públicos e espaços de grande circulação de pessoas revestidos com os azulejos do artista, Brasília se tornou uma galeria a céu aberto.

O arquiteto Athos Bulcão em frente ao painel da igrejinha de Nossa Senhora de Fátima em Brasília. Há 20 anos ele inspirou um grupo de admiradores a criar uma fundação para divulgar suas obras (Foto: Acervo Athos Bulcão/Divulgação)
O arquiteto Athos Bulcão em frente ao painel da igrejinha de Nossa Senhora de Fátima em Brasília. Há 20 anos ele inspirou um grupo de admiradores a criar uma fundação para divulgar suas obras (Foto: Acervo Athos Bulcão/Divulgação)

História de Athos Bulcão

Nascido no Catete, Rio de Janeiro, em 2 de julho de 1918, Athos passou sua infância em uma casa ampla em Teresópolis. Perdeu a mãe, Maria Antonieta da Fonseca Bulcão, de enfisema pulmonar antes dos cinco anos e foi criado com seu pai, Fortunato Bulcão, entusiasta da siderurgia, amigo e sócio de Monteiro Lobato, com o irmão Jayme, 11 anos mais velho, e com suas irmãs adolescentes Mariazinha e Dalila, que substituíram a mãe.

Enquanto crescia, passava muito tempo dentro de casa e, por ser muito tímido, misturava fantasia e realidade. Na família havia um interesse pela arte e suas irmãs o levavam freqüentemente ao teatro, ao Salão de Artes, aos espetáculos das companhias estrangeiras, à ópera e à Comédia Francesa. Athos aos quatro anos ouvia Caruso no gramofone, e ensaiava desenhos sem, no entanto, chamar a atenção da família. Chegou às artes graças a uma série de acidentais e providenciais lances do acaso.

Athos foi amigo de alguns dos mais importantes artistas brasileiros modernos, os maiores responsáveis por sua formação. Carlos Scliar, Jorge Amado, Pancetti, Enrico Bianco – que o apresentou a Burle Marx -, Milton Dacosta, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Ceschiatti, Manuel Bandeira entre outros.

Caixa Econ_mica Federal Natal RN Painel de Azulejos Arq Claudio Meirelles Fontes 1976
Caixa Econ_mica Federal Natal RN Painel de Azulejos Arq Claudio Meirelles Fontes 1976

Aos 21 anos, os amigos o apresentaram a Portinari, com quem trabalhou como assistente no Mural de São Francisco de Assis na Pampulha e aprendeu muitas lições importantes sobre desenhos e cores. Antes de pintar, planejava as cores que usaria e acredita fervorosamente que o artista tem de saber o que quer fazer. Athos não acredita em inspiração. Para ele, o que existe é o talento e muito trabalho. “Arte é cosa mentale”, diz, citando Leonardo da Vinci.

Trajetória artística de Athos Bulcão

A trajetória artística de Athos Bulcão é especialmente consagrada ao público em geral. Não ao que freqüenta museus e galerias, mas ao que entra acidentalmente em contato com sua obra, quando passa para ir ao trabalho, à escola ou simplesmente passeia pela cidade, impregnada pela sua obra, que “realça” o concreto da arquitetura de Brasília.

Como diria o arquiteto e amigo pessoal, João Filgueiras Lima, o Lelé, “como pensar o Teatro Nacional sem os relevos admiráveis que revestem as duas empenas do edifício, ou o espaço magnífico do salão do Itamaraty sem suas treliças coloridas?”, difícil imaginar. Athos é o artista de Brasília. As obras que aqui realizou foram feitas para o convívio com a população e carregam a consideração por esta cidade e seus habitantes.

Athos Bulcão estava em tratamento contra o Mal de Parkinson desde 1991 no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Faleceu após uma parada cardiorespiratória no dia 31 de julho de 2008, aos 90 anos.